sexta-feira, 8 de julho de 2011

Deus encerrou a todos na desobediência!

Porque Deus a todos encerrou na desobediência, a fim de usar de
misericórdia para com todos.
(Romanos 11:32)

Como entender a alusão de Paulo, inspirado pelo Espírito Santo, de que Deus encerrou as pessoas na desobediência?
Sendo que Deus não deseja a desobediência, nem jamais encoraje o pecado, que é transgressão de sua própria lei e vontade, como entender a declaração da Palavra da Verdade (João 17:17) que parece indicar que Deus, como agente consciente e ativo, colocou o ser humano em uma prisão, chamada pecado, da qual ele não pode fugir?
Algumas pessoas recuam horrorizadas diante da perspectiva de ter de responder afirmativamente a essas perguntas:
Sim, Deus encerrou as pessoas na desobediência! Sim, Deus, como agente consciente e ativo, colocou o ser humano em uma prisão chamada pecado da qual eles não tem possibilidade de fugir!
Essas pessoas têm zelo por Deus e imaginam que essas respostas afirmativas tornariam Deus cúmplice do pecado.
Entretanto, outras passagens das escrituras demonstram com ainda maior clareza que a resposta afirmativa a essas perguntas faz parte da forma de Deus lidar com os pecadores seres humanos. A primeira delas vem do próprio livro de Romanos: A Palavra nos diz que “o próprio Deus os entregou (aos gentios) a uma disposição mental reprovável,” com o objetivo de que eles praticassem “coisas inconvenientes” por uma triste razão: “por haverem desprezado o conhecimento de Deus.” (Romanos 1:28).
            Foi Deus em pessoa, quem entregou suas criaturas pecadoras a essa condição tenebrosa na qual elas haveriam de praticar coisas terríveis, por terem desprezado o conhecimento de um Deus que unicamente tem poder de livrá-los do pecado, essa é a verdade.
Em Gênesis, o homem (Adão) era livre para pecar, como para não pecar, mas, pecando não seria livre para impedir as conseqüências de seu pecado sobre si mesmo, e posteriormente sobre toda a humanidade. (Gênesis 2:17; Romanos 5:12).
Dessa forma, em escolhendo o pecado, a humanidade não seria capaz de se livrar dele por maiores que fossem seus esforços nessa direção, e podemos atribuir essa impossibilidade ao próprio “poder do pecado,” como sendo mais forte do que uma humanidade, que mesmo “querendo” fazer o bem, encontra a lei de que o mal nela reside (Romanos 7:21), mesmo no contexto da salvação em Jesus Cristo, Paulo encontrou em si mesmo essa inexorável “lei.”
Essa lei, a lei do pecado e da morte, é um princípio ativo, que se manifesta na vida humana, ainda que tal manifestação não seja sequer desejada. O apóstolo diz: “Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço.” (Romanos 7:17).
            Diante do fato de que o pecado “faz separação” entre pecadores e Deus (Isaías 59:2), e conduz à morte espiritual (efésios 2:1) e física (Romanos 6:23), cabe bem a pergunta: Quem pode ser salvo do pecado? “Jesus, porém, fitando neles o olhar, disse: Para os homens é impossível; contudo, não para Deus, porque para Deus tudo é possível.” (Marcos 10:27).
            Ao iniciar a explicação da doutrina da salvação, Jesus não nega um fato devastador: Para os homens isso (ser salvo) é impossível! O ponto de partida para vencer o pecado é reconhecer que isso é uma impossibilidade para a humanidade!
            A razão dessa impossibilidade jaz na raiz do pecado, que tem força de lei (de Deus) para a humanidade! Quando Deus disse que Adão e Eva (e a humanidade) morreriam se comessem do fruto do conhecimento do bem e do mal (Gênesis 2:17) ele tornou a morte (espiritual e física) uma lei diante da qual não haveria possibilidade de escapatória para a humanidade! É nesse sentido que Deus nos encerrou na desobediência!
            Deus não estimulou o casal do Éden a desobedecer, muito menos tornou impossível sua obediência, antes concedeu sabedoria e força para viverem para sempre longe do pecado, mas uma vez enredados seria impossível aos homens não serem pecadores!
Tal verdade se torna explícita na Palavra que nos ensina ser mentiroso, e a fazer Deus mentiroso, todo aquele que pretende não “ter” nem “cometer” pecado! (1 João 1:8 e 10).
            Entretanto, se enganaria completamente alguém que visse nessas verdades a implicação de que a origem da presente situação de pecado na humanidade é fruto da vontade de Deus! Tal conclusão não poderia estar mais longe da verdade.
            Deus odeia o pecado (Isaías 61:8) e através de Jesus Cristo realizou aquilo que era impossível de ser realizado pelo ser humano! A Salvação.
            A redenção que há em Jesus Cristo (Romanos 3:24), justifica o pecador, e conquanto momentaneamente não anule absolutamente a lei do pecado e da morte (Romanos 7:7-25), pois que ela continua ativa e real inclusive na realidade dos verdadeiros cristãos, nos livra das conseqüências últimas dessa lei (Romanos 8:2).
            A concretização plena e cabal da redenção eterna (Hebreus 9:12), já consumada na cruz (João 19:30), ainda está no futuro, olhando de nossa perspectiva atual. Tal redenção ainda não foi tornada efetiva em todas as suas dimensões na vida dos salvos, que ainda sofrem em meio a uma criação que geme em seu cativeiro de corrupção, e que espera ardentemente a futura manifestação da glória dos filhos de Deus (Romanos 8:18-21).
            Apesar de isso significar que o pecado ainda está e estará presente (mesmo que por pouco tempo), podemos dar graças a Deus por não haver nenhuma condenação para quem está em Cristo Jesus (Romanos 8:1). Jamais inferindo com isso que Cristo seja “ministro do pecado” (Gálatas 2:17).

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