domingo, 4 de abril de 2010

Justificação pela fé: Uma abordagem adventista...






A justificação, da perspectiva adventista é a realidade na qual se baseia nossa segurança diante do juízo final de Deus sobre a humanidade. Essa realidade por si só, nos guia a estudar esse assunto de forma sincera profunda e constante.


Estou trazendo nesse post uma tradução de um artigo relativo ao entendimento adventista da justificação. Esse artigo foi escrito por Peter M. Van Bemmelen, e originalmente foi tirado do "instituto de pesquisas bíblicas da associação geral"

Lutero escreveu que a doutrina da justificação pela fé é a verdade diante da qual uma igreja está em pé ou caída e graças a Deus por nosso Senhor Jesus Cristo que através de Espírito Santo nos leva à verdade de Deus, e assim, justificados pela fé, temos paz com Deus (Romanos 5:1)

boa leitura a todos...







Justificação pela fé: Um entendimento adventista
Peter M. Van Bemmelen, Th.D.

Introdução:

            Os Adventistas do sétimo dia crêem que eles têm sido chamados para proclamar o evangelho eterno para cada nação, tribo, povo, língua e povo no contexto das 3 mensagens angélicas de Apocalipse 14:6-12. Essas mensagens são o apelo final de Deus para a raça humana antes da segunda vinda de Jesus Cristo (ver Apocalipse 14:14-20). A expressão “evangelho eterno” que ocorre apenas nessa passagem do Novo Testamento, tem implicações importantes. Primeiro de tudo implica que o Evangelho era o propósito de Deus desde a eternidade. Esse eterno e divino propósito está enraizado no amor eterno de Deus como afirmado em Jeremias 31:3 e João 3:16. Em segundo lugar, implica que há somente um evangelho pelo qual os caídos seres humanos podem ser salvos e que esse é o Evangelho de Jesus Cristo, como Paulo às vezes se refere a ele (Romanos 15:9; 1 Cor 9:12; etc.). Em outras palavras, desde os dias de Adão e Eva até o fim do mundo só houve e só haverá apenas um evangelho, uma maneira de salvação. Nas palavras do apóstolo: “Pois sois salvos pela graça mediante a fé, e isso não vem de vós, é dom de Deus, não de obras para que ninguém se glorie” (Efésios 2:8-9). Pedro falando de salvação através de Jesus Cristo perante os líderes religiosos de Israel foi bastante enfático: “Pois não há salvação em nenhum outro, não há outro nome dado aos homens debaixo do céu pelo qual devem ser salvos” (Atos 4:12).
            Os adventistas sempre perceberam a si mesmos como herdeiros das grandes verdades recuperadas e proclamadas pelos reformadores protestantes. Como afirmado no relatório de conclusão de mais um diálogo bilateral: “Os adventistas têm uma elevada apreciação pela reforma. Eles vêem a si mesmos como herdeiros de Lutero e dos reformadores, especialmente em seu adotar dos princípios de “Sola Scriptura, Sola Gratia, Sola Fide, Solo Christo”.[i] Isso coloca o adventismo em harmonia com o entendimento evangélico tradicional de Justificação pela fé, e também com a tradição dos pais da igreja, pois, de acordo com Thomas Oden, “os principais reformadores que apelam para Sola Scriptura, Sola Gratia, Sola Fide são encontradas abundantemente no interpretes patrísticos das Escrituras.” [ii] Nesse documento nós intencionamos apresentar o entendimento adventista da unidade dos ensinamentos da Escritura no tema da justificação pela fé somente em Cristo e somente pela Graça. Em seguida tratarei do alegado conflito entre alguns ensinamentos específicos dos adventistas, como sua ênfase na observância do sábado, e a visão protestante tradicional de justificação pela fé será considerada.

            O fundamento do ensino da justificação pela fé no Velho Testamento                  
           
A unidade das Escrituras não significa uniformidade. Esperar afirmações teológicas muito explícitas como as encontradas em Paulo no Velho Testamento mostra uma falta de apreciação da diversidade na revelação de Deus para e em relação com os mensageiros inspirados. Ainda assim, o próprio Paulo apela para o Velho Testamento para mostrar a unidade entre seu ensinamento de Justificação pela fé ou justiça pela fé com os ensinamentos de Moisés e dos profetas. “Mas agora, sem lei, se manifestou a justiça de Deus testemunhada pela lei e pelos profetas;” (Romanos 3:21). É portanto essencial estudar cuidadosamente o que o Velho testamento ensina sobre justiça e sobre justificação. Obviamente, aqui vamos tratar apenas com alguns dos aspectos mais pertinentes do assunto em pauta.
O Velho Testamento proclama a justiça de Deus em todo seu relacionamento com Israel. Na canção majestosa, que Moisés ensinou, por ordem de Deus, os israelitas cantarem, Moisés proclama o nome do Senhor nessas palavras: “Eis a Rocha! Suas obras são perfeitas, porque todos os seus caminhos são juízo; Deus é fidelidade, e não há nele injustiça; é justo e reto.” (Deuteronômio 32:4). A justiça de Yahweh é manifesta de acordo com as bênçãos e maldições do concerto de deuteronômio 38, em atos de julgamento (ver por exemplo: 2 Crônicas 12:1-6; Daniel 9:3-14; Neemias 9:8) e em atos de salvação. Esses últimos são referidos às vezes como a “tsidqot Yahweh”, que pode ser traduzido como a justiça ou os atos justos do Senhor (ver por exemplo: Juízes 5:10; 1 Samuel 12:6-7; Miquéias 6:5). É importante perceber que no Velho Testamento a justiça de Deus é às vezes equivalente à salvação de Deus como pode ser observado no paralelismo hebraico (ver Isaías 51:6,8).
Quando chega à justiça humana, o Velho Testamento apresenta-nos um aparente paradoxo. Há persistentes e enfáticas afirmações de que ninguém é justo, que todos pecaram. Davi pleiteou com Deus “Não entres em juízo com o teu servo, porque à tua vista não há justo nenhum vivente.” (Salmo 143:2). Salomão reconheceu em sua oração para a dedicação do templo: “não há ninguém que não peque” (1 Crônicas 6:36). Ele repete esse pensamento em Eclesiastes 7:20 “Não há homem justo sobre a terra que faça o bem e que não peque.” Moisés por três vezes disse para que os israelitas não pensassem que o Senhor os estava dando a terra de Canaã  por causa da justiça deles. Ele afirmou o contrário, “sois um povo de dura cerviz” (Deut. 9:4-6). O paradoxo é que os mesmos escritores e o Velho Testamento como um todo faz uma distinção da humanidade em duas classes: Os Justos e os Ímpios ou algumas distinções similares a esta. Isso levanta a pergunta crucial: “Como pode qualquer ser humano ser chamado de Just diante da afirmação que ninguém é justo e que todos pecaram?” A importância dessa questão é intensificada quando encontramos pessoas designadas como justas, inculpáveis, ou coisas como: “amigo de Deus” ou “mui amado” como nos casos de Noé, Jó, Abraão e Daniel (ver Gen. 7:1; Jó 1:1; Is. 41:8; Dan. 9:23), como pecadoras e confessando pecados. É evidente que a justiça dessas pessoas não é idêntica a impecaminosidade. Como então eles podem ser chamados de justos ou inculpáveis. Edmund Clowney acentua quão crucial é essa questão: “Como pode um homem ser justo com Deus? Toda a história do Velho Testamento depende da resposta de Deus a essa questão.” [iii]         
A resposta óbvia é que Yahweh, o Deus do concerto, justifica aquele que nele crê, que confia em suas promessas, que reconhece seu pecado, que se lançam sob a misericórdia de Deus, e se convertem de suas injustiças. De Abraão nós lemos: “Ele creu no SENHOR, e isso lhe foi imputado para justiça.” (Gen. 15:6). Jó, de quem o Senhor testificou que ele era: “homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desviava do mal.” Foi confrontado com uma pergunta vinda do Senhor: “Acaso, anularás tu, de fato, o meu juízo? Ou me condenarás, para te justificares?” (Jó 40:8). Diante do Santo e justo Deus Jô reconheceu sua pecaminosidade e respondeu: “Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te vêem. Por isso, me abomino e me arrependo no pó e na cinza.” Jó 42:5-6. Davi, o ungido do Senhor, quando convicto de seu pecado contra Deus por adultério e assassinato, confessou seu pecado e achou perdão (2 Samuel 12:13). De acordo com os salmos 32 e 51 ele foi justificado diante de Deus e pôde cantar: “Alegrai-vos no SENHOR e regozijai-vos, ó justos; exultai, vós todos que sois retos de coração.” (Salmo 32:11). Isso é justificação pela fé pela graça somente. A justiça dos justos no Velho Testamento é um dom concedido pelo Deus justo. Essa é o porquê de Davi por todos os salmos exala a justiça de Deus. Paulo afirmou a verdade quando ele disse que a Lei e os profetas testificaram da “justiça de Deus, separada da Lei” (Romanos 3:21).
Esses temas vetero-testamentários são mais plenamente desenvolvidos por Edmund Clowney em eu capítulo: “A doutrina da justificação pela fé” no livro Justo com Deus: a justificação na Bíblia e o mundo, publicado em 1992 por causa da “comunhão do mundo evangélico”. Os adventistas do sétimo dia, creio eu, concordariam de todo o coração com muito, senão com toda a cuidadosa apresentação bíblica de Clowney. Clowney seguindo McGrath, mostra que o verbo hebraico hasdiq “sempre significa [declarar estar correto (justo)] e somente então absolver ou vindicar”. Com um apelo para Deuteronômio 25:1, onde os juízes de Israel são mandados “justificar o justo e condenar o ímpio”, ele afirma ser claro que “condenar” nesse caso significa “declarar ser ímpio”, não “tornar alguém ímpio”, e que “justificar” deve significar “declarar ser justo” e não “tornar alguém justo”. Esse significado é consistente no Velho Testamento. O Senhor admoesta os juízes a dar veredictos justos por que Deus é o supremo juiz, que testifica de si mesmo: “Eu não vou absolver (ou justificar) o culpado” (Êxodo 23:7). Enquanto Deus está aqui falando no contexto de tribunais de justiça terrenos, se torna aparente que quando percorremos as Escrituras vemos que essas admoestações têm um significado soteriológico mais profundo. É necessário sublinhar que o “justificar” é um termo legal, declarando que alguém não é culpado. O significado básico de justificação como um veredicto judicial é mantido mesmo quando conduz a um significado mais amplo na revelação progressiva de Deus e nas reflexões teológicas sobre essa revelação.

Justificação pela fé em Cristo somente

Os adventistas do sétimo dia acreditam firmemente e de todo o coração que a salvação é puramente um dom de Deus em Jesus Cristo. Pecadores como somos, não podemos adicionar nada à perfeita justiça de Cristo, que ele realizou em sua encarnação por sua perfeita obediência á lei de Deus e por sua morte na cruz por nossos pecados. Nas palavras de uma das crenças fundamentais dos adventistas:

Na vida de Cristo, de perfeita obediência à vontade de Deus, e em Seu sofrimento, morte e ressurreição, Deus proveu o único meio de expiação do pecado humano, de modo que os que aceitam essa expiação pela fé possam ter vida eterna, e toda a criação compreenda melhor o infinito e santo amor do Criador. Esta expiação perfeita vindica a justiça da lei de Deus e a benignidade de Seu caráter; pois ela não somente condena o nosso pecado, mas também provê o nosso perdão. – Crenças Fundamentais, 9      
                
“Salvação através de Cristo somente” é algo central para o entendimento adventista e experiência de salvação. Apesar de que durante nossa história de mais de 160 anos ela nem sempre recebeu a ênfase esperada, essa crença central pode ser traçada por todo esse período com acentuação e articulação crescente nos livros, tratados e periódicos fluindo aos milhões a partir das casas publicadoras adventistas por todo o mundo. O mesmo é verdade considerando-se o evangelismo adventista de uma grande variedade de formas diferentes, desde pequenos grupos de estudo em casas particulares até aos evangelismos com alta tecnologia por satélites e pela rede mundial de computadores. Aqui nós podemos apenas pontuar evidências significativas dessa ênfase Cristocêntrica no entendimento adventista da justificação pela fé.
Nos escritos de Ellen White, a autora mais lida entre os adventistas, Cristo é consistentemente apresentado como a única esperança e o único meio de salvação para os pecadores seres humanos. Ela escreveu em 1891, “de todos os professos cristãos, os adventistas do sétimo dia deveriam ser os primeiros a levar Cristo perante o mundo” [iv] Ela mesma fez exatamente o que seus escritos testemunhavam.

Relativamente à justificação pela fé, ela foi explícita. Note sua forte ênfase.

“Não há um ponto que necessite ser realçado com mais diligência, repetido com mais freqüência ou estabelecido com mais firmeza na mente de todos, do que a impossibilidade de o homem caído merecer alguma coisa por suas próprias e melhores boas obras. A salvação é unicamente pela fé em Jesus Cristo”. (fé e obras, 19)

“O sangue de Cristo foi derramado para expiação e purificação do pecador. E nós devemos nos apegar aos méritos do sangue de Cristo, e acreditar que temos vida em seu nome. Não permita que as falácias de Satanás te enganem, você é justificado somente pela fé” (Signs of the Times, March 24, 1890)

Não é surpreendente que Ellen White tinha uma grande consideração pela epístola aos Romanos de Paulo. “Com grande clareza e poder a apóstolo apresentou a doutrina da justificação pela fé em Cristo.” Ela comenta o fato de Paulo poder apenas prever diminutamente o longo alcance que suas palavras teriam. “Por todas as eras a grande verdade da justificação pela fé tem se levantado como uma poderosa coluna para guiar os pecadores ao arrependimento e ao caminho da vida”. Ela menciona a experiência de Martinho Lutero e então conclui que pela “epístola para a igreja de Roma, todo cristão tem razão de agradecer a Deus” (Atos dos apóstolos 373, 374). A importância da carta aos romanos e as outras cartas de Paulo para o entendimento adventista do Evangelho é manifestado nas publicações acadêmicas assim como nas publicações bíblicas e devocionais de forma geral. [v]
Como afirmado anteriormente, os adventistas acreditam que há apenas uma forma de salvação de Genesis ao Apocalipse e essa forma é a fé em Cristo e sua justiça. Essa crença central pode ser e tem sido expressa em diferentes palavras, da mesma forma como as Escrituras não são monótonas, mas apresentam a verdade do Evangelho eterno de diversas maneiras. Enquanto os eruditos adventistas podem diferir de opinião a respeito de certos aspectos do evangelho, da mesma forma diferenças podem ser encontradas entre os eruditos de outras denominações, há significativa unidade relativamente à justificação pela fé somente. Nas palavras de teólogo adventista Hans LaRondelle:

“Básico ao adventismo é o princípio do evangelho que a salvação humana não é pela lei e nem pelas obras humanas, mas somente pela salvadora graça de Deus. ...a crença adventista aceita a Cristo como um substituto e como um exemplo, nessa ordem irreversível. Fé em Cristo como nosso substituto diante de Deus provê nossa justificação como um ato de declaração de Deus reputando como justo o pecador arrependido. Justificação é vista como o oposto da condenação (ver Romanos 5:16; 8:1, 33, 34). A base da justificação do crente não é sua observância da lei, mas a perfeita obediência de Cristo (Romanos 5:18,19).
                  
            Indubitavelmente a justificação é primariamente uma declaração judicial de Deus de que o pecador que crê em Cristo é justo. Isso é o oposto da condenação. Mas a fé pela qual somos justificados não é meramente assentimento mental a uma determinada doutrina. É uma fé viva que se apropria de Cristo e de seu sacrifício expiatório. Lutero diferenciou entre “fé adquirida” e “fé verdadeira”. Ele escreveu: “Fé adquirida resulta de seu objetivo e uso da paixão de Cristo em mera especulação. A fé verdadeira resulta de seu objetivo e uso da paixão em vida e salvação... A fé verdadeira abraça de braços abertos o filho de Deus entregue por si e diz “eu sou do meu amado e o meu amado é meu” [vi]
            Ellen White de uma forma semelhante escreveu que “há milhares que crêem no evangelho e em Jesus Cristo como redentor do mundo, mas eles não são salvos por essa fé. Isso é apenas um concordar com o julgamento que virá em breve...” Ela chama isso de fé geral e a contrasta coma fé que se apega a Cristo como o salvador que perdoa o pecado, uma fé que conduz ao arrependimento, “uma fé que faz uma obra naquele que a recebe, uma fé no sacrifício expiatório, uma fé que atua pelo amor e que purifica a alma” [vii] Ele clarifica adiante essa fé com as palavras: “o momento em que se exercita fé verdadeira na expiação de Cristo, o aceitando como salvador pessoal é o momento no qual o pecador é justificado perante Deus, pois é perdoado.” [viii]           
           
Algumas áreas alegadamente problemáticas no ensino adventista relacionado à justificação pela fé

            Os adventistas do sétimo dia não têm escapado de acusações de não crer no ensinamento bíblico da justificação pela fé pela graça somente e através da fé. Anthony Hoekema em seu livro “As quatro maiores seitas”, expressa sua convicção que os adventistas “apesar de dizerem ensinar a salvação somente pela graça” eles são na verdade culpados de uma forma de legalismo misturado. [ix] Ele baseia essa declaração no ensino adventista do juízo investigativo e em seu ensino a respeito da necessária observância do sábado do sétimo dia, o verdadeiro dia do Senhor (especialmente na configuração escatológica de Apocalipse 13:11-17). [x] Por essas e uma quantidade de outras razões ele classifica o adventismo do sétimo dia como uma seita. Críticas similares têm sido levantadas por outras pessoas, e não poucos são ex-adventistas. E nem todos concordam com os argumentos de Hoekema. É digno de nota que o erudito evangélico Walter Martin em seu trabalho “o império das seitas” demonstra várias inconsistências nas racionalizações de Hoekema. Apesar de o próprio Martin não concordar com certas crenças dos adventistas, ele aceita como genuína a enfática afirmação deles: “a salvação vem tão somente pela graça de Deus através da fé no sacrifício de Jesus Cristo sobre a cruz” [xi] É verdade que os adventistas do sétimo dia acreditam que os 10 mandamentos, incluindo-se a santificação do sábado do sétimo dia ainda estão vigentes sobre toda a humanidade, mas isso não significa que eles crêem em qualquer sentido que pecadores possam ser justificados através da obediência aos mandamentos. Neste aspecto a crença adventista concorda com a posição dos reformadores protestantes como afirmado, por exemplo, na segunda confissão Helvética de 1566, que diz no capítulo 12, intitulado: A Lei de Deus

Nós acreditamos que esta lei não foi dada aos homens que eles não podem ser justificados por guardá-la, mas para que nos ensinasse qual (nossa) fraqueza, pecado e condenação, e, em desesperança diante de nossa própria força, pudéssemos ser convertidos a Cristo em fé. Pois o apóstolo declara abertamente: "A lei traz a ira", e "Pela lei vem o conhecimento do pecado" (Rm 4:15; 3:20), e "Se a lei tivesse sido dada e pudesse justificar ou trazer vida, então a justiça seria de fato pela lei. Mas a Escritura (isto é, a lei) encerrou todos sob o pecado, para que a promessa que era da fé em Jesus pudesse ser dada para aqueles que acreditam .... Portanto, a lei nos serviu de aio para Cristo, para que pudéssemos ser justificados pela fé "(Gal.3: 21 e ss.).        

O mesmo artigo, contudo, se inicia afirmando que “acreditamos que a vontade de Deus é explicada para nós pela lei de Deus, o que Ele quer ou não o quer que nós façamos, o que é bom e justo, ou o que é mau e injusto. Portanto, confessamos que a lei é boa e santa.” [xii] Os adventistas, aceitando tal ensinamento como congruente com as Escrituras, crêem que a promessa da nova aliança do Senhor, como dada por Jeremias e repetida em Hebreus 8:10 “... na sua mente imprimirei as minhas leis, também sobre o seu coração as inscreverei; e eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo.” Será cumprida na vida daqueles que aceitam a Jesus como seu Senhor e Sumo sacerdote. Enquanto Paulo enfaticamente mantém “que o homem é justificado pela fé separado das obras da lei” o que é verdade para judeus e para gentios, no mesmo contexto afirma que através dessa fé nós não anulamos a lei, “antes confirmamos a lei” (Rom. 3:28 e 31). Em outro lugar ele coloca a afirma a mesma coisa com palavras diferentes: “circuncisão é nada, e incircuncisão não é nada, guardar os mandamentos de Deus é o que conta” (1 Cor 7:19). Essa obediência resulta da fé e amor de Cristo, implantado pelo Espírito Santo, “Pois em Cristo nem a circuncisão, nem a incircuncisão têm valor algum, mas a fé que atua pelo amor.” (Gál. 5:6). Jesus nas palavras finais a seus discípulos antes d sua crucifixão, falou várias vezes sobre essa obediência nascida do amor. “Se me amais, guardareis os meus mandamentos.” (Jo 14:15). “Como o Pai me amou, também eu vos amei; permanecei no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos permanecereis no meu amor; assim como também eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e no seu amor permaneço.” (Jo 15:9-10). “Vós sois meus amigos, se fazeis o que eu vos mando.” (Jo 15:14). Os adventistas crêem que é essa obediência de amor a que Paulo se refere quando diz que “o cumprimento da lei é o amor” (Rom. 13:10).
            Enquanto os adventistas crêem que os cristãos são chamados “à obediência da fé” (Rom. 1:5) e que nós fomos “criados em Cristo Jesus para as boas obras, que preparou para nela andássemos” (Efésios 2:10). Eles rejeitam fortemente qualquer sugestão que tal obediência e tais boas obras sejam de qualquer forma meritórias. O concílio de Trento em seu decreto sobre justificação diz que a justificação aumenta “através da observância dos mandamentos de Deus e da igreja, com a fé cooperando com as boas obras;” ensina também o mérito das boas obras como fruto da justificação.[xiii] Seu cânon sobre justificação pronunciou essa condenação a qualquer um que dissesse que “a justiça recebida não é preservada e também não é aumentada diante de Deus através das boas obras, mas que essas obras são meramente os frutos e sinais da justificação, mas sua causa ou o aperfeiçoamento da justificação, que seja anátema.” Outro anátema condenou qualquer pessoa que dissesse “que as boas obras daqueles que é justificado são de tal forma um dom de Deus que elas não constituem méritos benignos pertencentes ao justificado.” [xiv] Em outras palavras, a justificação é aumentada (aperfeiçoada) pela obediência e pelas boas obras, as boas obras não são apenas dons da graça de Deus, mas méritos daqueles que foram justificados. Essa crença foi confirmada no catecismo da igreja católica romana, publicado com a benção papal de João Paulo Segundo. [xv] O catecismo também confirmou a posição do concílio de Trento que “justificação não é apenas remissão de pecados, mas também santificação e renovação do homem interior” [xvi] Essa visão de justificação foi e ainda é enfaticamente rejeitada por qualquer protestante consistente, incluindo-se os adventistas do sétimo dia.
            Que esse tópico é relevante no século 21 tanto quanto foi no século 16 é evidente a partir do fato que Francis Beckwith, que era o presidente da sociedade teológica evangélica, no último mês de maio, rejeitou a presidência e qualquer participação como membro dessa sociedade depois que em abril voltou ao catolicismo (a igreja na qual havia crescido). De acordo com a revista Christianity Today Beckwith mudou sua visão sobre justificação por que achou que “a visão protestante, que afirma que a santificação segue a justificação, é inadequada” [xvii] Beckwith se convenceu que a visão católica de justificação “tem maior poder explanatório tanto para o texto bíblico assim como para o entendimento histórico da salvação anterior a reforma, até à igreja do primeiro século”[xviii] Isso enfatiza a importância máxima e a centralidade da doutrina da justificação pela fé para todos aqueles que aceitam o princípio Sola Scriptura. De acordo com o editorial de Christianity Today os reformadores “acertadamente ensinaram que somente os méritos de Jesus eram relevantes diante de Deus e que apenas através da fé que esse mérito pode ser nosso” [xix] Os adventistas concordam com isso de todo o coração.
            A partir da discussão precedente deveria estar claro os adventistas do sétimo dia acreditam que guardar os mandamentos, inclusive o sábado do sétimo dia da semana, é visto como parte da obediência da fé. É fruto da justificação, e nunca a raiz ou fonte da justificação. Cristo refere-se a si mesmo como Senhor do Sábado (Mc 2:28), obviamente não ara abolir o sábado, mas para que todos que são justificados pela fé sigam seu Senhor guardando o sábado como um memorial da criação assim como um sinal de sua libertação da escravidão do pecado através de Cristo (Ex 20: 8-11; 31: 12-17; Dt 5: 12-15; Ez 20: 12, 20). Não há nenhum traço de legalismo em tal observância do sábado.
            Se nossa justificação é somente através da graça mediante a fé, a obediência da fé tem alguma coisa que ver com nossa salvação? Ou para colocar a questão de forma diferente: Os nossos pensamentos, palavras e ações tomam parte em determinar nosso destino eterno? Essas são questões cruciais e que estão intimamente relacionadas à questão do juízo final. As Escrituras falam muita coisa a respeito do juízo final, e se vê isso nos ensinamentos de nosso Senhor preservados nos Evangelhos. Jesus disse: Digo-vos que de toda palavra frívola que proferirem os homens, dela darão conta no Dia do Juízo; porque, pelas tuas palavras, serás justificado e, pelas tuas palavras, serás condenado.” Mateus 12:36-37 Aqui nosso Senhor fala de justificação e condenação (as declarações judiciais de inocência ou culpa) no contexto do dia do julgamento. Obviamente, há um aspecto escatológico na justificação. Os adventistas acreditam baseados nas Escrituras que o dia do juízo é um conceito bastante compreensível e muita literatura adventista a respeito desse tema já foi publicada. [xx] É suficiente dizer que eles sustentam que o julgamento deve ser distinguido em investigativo e executivo. É a crença adventista em um juízo investigativo que leva à acusação de que eles não acreditam realmente nos princípios da reforma de Sola fide, Sola gratia (só fé e só graça). Em nossa conclusão vamos dar uma olhada nessa questão.
            Em Romanos 8:1 Paulo nos diz que “não há nenhuma condenação para os que estão em Cristo Jesus.” Anteriormente ele afirmou que “justificados pois pela fé, temos paz com Deus através de nosso Senhor Jesus Cristo” (Rom. 5:1). Tudo isso são realidades presentes. Em outro lugar está escrito: “Entretanto, o firme fundamento de Deus permanece, tendo este selo: O Senhor conhece os que lhe pertencem.” (2 Tim. 2:19). Às vezes é argumentado que tais textos mostram que aqueles que estão em Cristo não necessitam ser julgados e que o conceito de juízo investigativo não é bíblico, pois tira a certeza da salvação aos crentes. Contudo esse tipo de racionalização ignora o claríssimo ensino das Escrituras de que todos serão julgados. O apóstolo Paulo é muito enfático nessa questão: “Pois todos compareceremos perante o tribunal de Deus... Assim, pois, cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus.” (Romanos 14:14 e 12). “Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo.” (2 Cor 5:10).
Outras passagens das Escrituras poderiam ser acrescentadas. Salomão escreveu no fim de sua vida: “De tudo o que se tem ouvido, a suma é: Teme a Deus e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo homem. Porque Deus há de trazer a juízo todas as obras, até as que estão escondidas, quer sejam boas, quer sejam más.” (Ecl. 12:13-14). O apóstolo Pedro nos informa que o julgamento começará pela família de Deus. Todos que de alguma forma professaram fé em Deus e em Cristo serão julgados antes ”daqueles que não obedecem o evangelho de Deus” (1 Pe 4:17). Essas afirmações destroem a segurança da justificação?
A resposta óbvia a essa questão é: “Não! Se permanecermos em Cristo” Na parábola da vinha e dos ramos é sublinhado um fato de crucial importância sobre permanecer nele. “Eu sou a vinha, vós sois os ramos. Quem permanece em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.” (Jô 15:5). Ele acrescenta que se alguém não permanecer nele será semelhante a um ramo seco que será lançado fora e queimado (verso 6). O julgamento final trará a luz àqueles que permaneceram em Cristo e aqueles que não. Será manifesto se nossa fé em Cristo produziu fruto na obediência da fé ou se foi uma fé estéril (Tiago 2:17, 26). Trará a luz à presença de todo universo quem manteve a fé em Cristo e quem se perdeu diante do caminho, da verdade e da vida. A segurança de Paulo de ter vida eterna é enraizada no fato de que ele “guardou a fé” (2 Tim.4:7). Sua fé em Cristo como seu Salvador e Senhor, o justo juiz de quem ele receberia a coroa da justiça. LaRondelle destaca a relação entre a presente justificação dos crentes e e sua justificação no juízo final.
“Paulo baseou nossa certeza de salvação futura na realidade de nossa presente salvação. A certeza de nossa futura justificação na realidade de nossa presente justificação. “Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira.” (Romanos 5:9; ver também verso 17). Em outras palavras, quando Jesus nos justifica, nós temos plena certeza de que seremos justificados no julgamento final se permanecermos nele.” [xxi]
De uma forma diferente, P. T. O’Brien, que contribuiu com o livro “Justo com Deus”, também destaca a relação entre justificação pela fé e julgamento de acordo com as obras. Ele deixa claro, entretanto, que “A base da justificação não está nas obras, nem na fé, mas na “revelação da graça de Deus abraçada pela fé”. As obras são indispensáveis, pois demonstram a presença da verdadeira fé e são evidências de alguém estar unido com Cristo em sua morte e ressurreição.” [xxii]
Os adventistas concordam e acreditam que o julgamento, tanto investigativo quanto executivo, é uma boa nova para todos que, como Paulo, pela graça de Deus mantém a fé, fé em Jesus.
 
Notas

[i] Lutherans & Adventists in Conversation: Report and Papers Presented 1994-1998 (Silver Springs, Maryland: General Conference of Seventh-day Adventists; Geneva, Switzerland: The Lutheran World Federation, 2000), 8.
[ii] Thomas C. Oden, The Justification Reader (Grand Rapids, Michigan; Cambridge, United Kingdom: William B. Eerdmans Publishing Co., 2002), 162.
[iii] Edmund P. Clowney, “The Biblical Doctrine of Justification by Faith,” in Right With God: Justification in the Bible and the World, ed. D.A. Carson, Published on behalf of the World Evangelical Fellowship (Paternoster Press; Baker Book House, 1992), 24; cf. page 23, “Indeed, it is the great question for the whole Old Testament.”
[iv] Ellen G. White, Gospel Workers (Washington, D.C.: Review and Herald Publishing Assn., 1915), 156; Idem, Manuscript Releases, Volume 9 (Silver Springs, Maryland: E.G. White Estate, 1990), 294.
[v] George R. Knight, Walking With Paul Through the Book of Romans (Hagerstown, Maryland: Review and Herald Publishing Assn., 2002).
[vi] Luther on Justification (St. Louis, Missouri: Concordia Publishing House, 1975), 30.
[vii] Ellen G. White, “Justified by Faith,” in Manuscript Releases, Volume 8 (Silver Springs, Maryland: E.G. White Estate, 1990), 356.
[viii] Ibid., 357.
[ix] Anthony A. Hoekema, The Four Major Cults (Exeter, United Kingdom: Paternoster Press, 1969), 126.
[x] Ibid., 126-128.
[xi] Walter Martin, The Kingdom of the Cults (Minneapolis, Minnesota: Bethany House Publishers, 1985), 435.
[xii] Arthur C. Cochrane, ed., Reformed Confessions of the 16th Century (Philadelphia: Westminster Press, 1966), 247.
[xiii] H. J. Schroeder, trans., Canons and Decrees of the Council of Trent (Rockford, Illinois: Tan Books and Publishers, 1978), 36 and 40-42.
[xiv] Ibid., 45 (Canon 24) and 46 (Canon 32).
[xv] Catechism of the Catholic Church (Mahwah, New Jersey: Paulist Press, 1994), 487, paragraph 2010.
[xvi] Catechism of the Catholic Church, 482, paragraph 1989.
[xvii] Editorial, “Virtue That Counts: Why Justification by Faith Alone Is Still Our Defining Doctrine,” Christianity Today, July 2007, 20.
[xviii] Collin Hansen, “Leaving for Rome,” Christianity Today, July 2007, 14.
[xix] Editorial, “Virtue That Counts,” Christianity Today, July 2007, 20.
[xx] See for instance Roy Gane, Who’s Afraid of the Judgment? (Nampa, Idaho: Pacific Press Publishing Association, 2006); Gerhard F. Hasel, “Divine Judgment” in Handbook of Seventh-day Adventist Theology, Commentary Reference Series, Vol. 12, ed. Raoul Dederen (Hagerstown, Maryland: Review and Herald Publishing Association, 2000), 815-856; Frank B. Holbrook, The Atoning Priesthood of Jesus Christ (Berrien Springs, Michigan: Adventist Theological Society Publications, 1996).
[xxi] Hans K. LaRondelle, Assurance of Salvation (Nampa, Idaho: Pacific Press Publishing Association, 1999), 99. Herman Ridderbos succinctly discusses the subject, “Judgment According to Works,” in his excellent book Paul: An Outline of His Theology, trans. John Richard De Witt (Grand Rapids, Michigan: William B. Eerdmans Publishing Company, 1975), 178-181.
[xxii] P. T. O’Brien, “Justification in Paul and Some Crucial Issues of the Last Two Decades,” in Right With God: Justification in the Bible and the World, ed. D. A. Carson, Published on behalf of the World Evangelical Fellowship (Paternoster Press; Baker Book House, 1992), 94. The quotation within the quotation is taken from Paul: An Outline of His Theology, 180.

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segunda-feira, 22 de março de 2010

O concílio de Jerusalém



"Então se reuniram os apóstolos e os presbíteros para examinar a questão..." Atos 15:6

O concílio de Jerusalém é um evento importante na história da igreja cristã relatada no livro de Atos. Howard Marshall em seu comentário Tyndale do Novo Testamento sobre o livro de Atos disse que atos 15 é o centro estrutural e teológico do livro. 
O relato bíblico diz que alguns indivíduos desceram da Judéia e começaram a ensinar aos gentios que a circuncisão era necessária para a salvação (verso 1). Levantou-se grande contenda entre o grupo judaizante e Paulo e Barnabé, que em resultado dessa contenda decidiram ir a Jerusalém por causa dessa questão. Essa atitude numa igreja jovem mostra os princípios de unidade e organização que devem guiar o corpo de Cristo em suas atitudes. Pode-se dizer que a igreja cristã estava aqui enfrentando sua primeira crise doutrinária. 
Os argumentos dos judaizantes eram fortemente baseados na Bíblia, porém era falho ao tornar a circuncisão um teste de comunhão, uma forma de entrada na igreja e um meio de salvação. A problemática da circuncisão é a mesma que envolve toda a discussão da carta aos gálatas. Muitas vêem um só evento descrito tanto em Gálatas 2:1-10 e em Atos 15:1-30. Problemas surgem quando esses dois relatos são interpretados de forma a corresponderem ao mesmo acontecimento. Essas dificuldades desaparecem quando vemos os dois relatos como tratando de dois acontecimentos diferentes, porém unidos por uma temática comum bastante evidente, o que não seria algo impossível, ou mesmo difícil de acontecer.
Em ambos os casos o problema era a circuncisão (atos 15:5) (e também a observância da lei de Moisés) para a salvação.
No verso 6 de atos 15 se revela uma reunião e o verso 23 complementa a informação de que nessa reunião estavam presentes apóstolos, presbíteros e irmãos. Pedro fez o discurso inicial (15:7-11) após um debate acalorado (verso 7). Pedro relembrou sua vocação e chamado para pregar o evangelho aos gentios e os resultados salvadores na vida dos gentios (não circuncidados entes ou depois da conversão). 
Paulo e Barnabé, contando agora com o silêncio da multidão (verso 12) relataram quantos sinais e prodígios Deus tinha feito no meio deles para a salvação dos gentios. Depois desses discursos Tiago expõe as bases bíblicas e teológicas da missão aos gentios (15:15-18) e emite um parecer aceito por todos de pleno acordo (15:25). Esse parecer (versos 20 e 29) prescreveu proibições aos gentios (que se abstivessem das contaminações dos ídolos, bem como das relações sexuais ilícitas (pornéias), da carne de animais sufocados e do sangue. 
O parecer da igreja não ordenou a circuncisão dos gentios nem a obrigatoriedade (ou mesmo validade) da observância da lei de Moisés para a salvação. Judas (judeu) e Silas (grego) foram enviados com Paulo e Barnabé com uma carta com o parecer da igreja para garantir a autenticidade do mesmo e quando os gentios receberam o veredicto eles se alegraram grandemente (15:31). 
As proibições recomendadas aos gentios não eram uma revelação absoluta ou completa de tudo que Deus pedia dos gentios convertidos. Esses mandamentos e ordens do Senhor provavelmente foram dadas nesse contexto para evitar que a discussão cultural, e a descontinuidade na questão da circuncisão fizesse com que a igreja gentílica deixasse de lado coisas essenciais em seu relacionamento com Deus em nome de estes não serem judeus. Muito facilmente os gentios poderiam, em nome de suas próprias culturas, julgar que idolatria (agora em nome de personagens cristãos),  má alimentação ou sexualidade sem fronteiras eram áreas “livres” de legislação ou de proibições. 
Certamente muitos gentios poderiam cair na armadilha de estar adorando ao Senhor em espírito e em verdade enquanto continuariam a praticar coisas condenadas por Deus.




O fato de o concílio não mencionar a obrigatoriedade da guardado sábado tem servido de desculpa para muitos cristãos dizerem que estão livres a essa obrigação para com Deus. Seus argumentos não se sustentam diante da revelação. O concílio de Jerusalém não recomenda a guarda do sábado nesse contexto aos gentios, mas também não lhes recomenda não matar, não roubar ou não mentir, coisas declaradamente condenadas na Palavra de Deus sob pena de perdição. Usar tal argumento é demonstrar ignorância ou maldade mentirosa e ambas são condenadas na Bíblia (Oséias 4:6 e Jeremias 23:32). O concílio de Jerusalém é um capítulo importante da história da igreja onde vemos a poderosa ação de um grupo de cristãos organizados e guiados pelo Espírito Santo (15:28).

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quinta-feira, 4 de março de 2010

Paulo, servo de Jesus Cristo!


Paulo, servo de Jesus Cristo, chamado para ser apóstolo, separado para o evangelho de Deus... (romanos 1:1)
Paulo aparece no relato bíblico pela primeira vez em Atos 7:58, no contexto do apedrejamento de Estevão (At 6:8 até 7:60).
Nesse relato ele ainda é conhecido por seu nome de nascença, Saulo. Natural da cidade de Tarso, na Cilícia (At 21:39) e por direito de nascimento ele era cidadão romano (At 22:27-18)
Saulo era, segundo suas próprias palavras “da linhagem de Israel, da tribo de benjamim, hebreus de hebreus” (Fl 3:5). Ele foi criado em Jerusalém e foi instruído nas tradições e leis judaicas aos pés de Gamaliel (At 22:3), um grande e reconhecido mestre de seu tempo (At 5:34). Fazia parte da seita dos fariseus (At 26:5), a seita mais severa da religião judaica.
Existe um texto bíblico que pode implicar que Saulo era membro do Sinédrio. Essa implicação surge do fato de que Paulo, relembrando suas atitudes contra os cristãos antes de sua conversão, disse que dava seu voto em favor do assassinato de cristãos (At 26:10). O único local, em Israel onde essa prática era legalmente seguida em Israel era no Sinédrio. Isso, se coerente com a realidade histórica, implicaria que Saulo, nesse momento de sua vida fosse casado, tinha mais de 30 anos e tinha boa reputação diante do povo (todas as prerrogativas para se fazer parte do Sinédrio em Israel naqueles dias), outra alternativa era que Saulo foi feito membro do Sinédrio não necessariamente por preencher essas prerrogativas de forma estrita, mas pela parte que desempenhou no caso de Estêvão, o que lhe concedeu destaque dentre os inimigos de Cristo (essa é a posição de Ellen White em Atos dos apóstolos, pg 102).
A Bíblia descreve Saulo como perseguidor implacável da igreja (At 8:1/3) e a exatidão dessa descrição é atestada pelo testemunho pessoal do mais tarde conhecido como apóstolo dos gentios, Paulo em 1 Cor 15:9. Saulo de Tarso, como era conhecido (At 9:11), foi até o sumo sacerdote pedir cartas para perseguir e prender os cristãos em Damasco e os levar a Jerusalém (At 9:1-2).
No caminho para cumprir o plano de prender os cristãos Saulo teve uma experiência sobrenatural com Jesus Cristo (At 9:3-9). Saulo recebe instruções de se levantar e entrar em Damasco, onde ele receberia instruções posteriores.
Deus dá uma visão a Ananias, discípulo de Jesus, e este conduz Saulo a uma experiência de restauração de sua visão, a qual havia perdido com o resplendor da visão de Cristo, e ao batismo (At 9:10-18). Logo Paulo se tornou um pregador do evangelho (At 9:20).
Paulo, logo no início de seu ministério era poderoso em demonstrar que Jesus é o Cristo (At 9:22) e logo suscitou oposição contra si mesmo por parte dos judeus (At 9:23). Paulo fez três grandes viagens missionárias (At 13-14/ At15-18/ At 19-21) e pregou o evangelho em boa parte do mundo conhecido de sua época.
Paulo escreveu grande parte do Novo Testamento. 14 epístolas ao todo, se considerarmos Hebreus como de sua autoria, pelo menos enquanto autor do conteúdo teológico do livro, inda que o estilo literário definitivamente não seja o estilo comum de Paulo encontrado nas outras epístolas assinadas pelo apóstolo. A Bíblia não relata a morte de Paulo.
Em atos vemos Paulo preso em Roma, porém livre para pregar o evangelho (Atos 28:30-31). Em 2 Tim 4:6-8 Paulo indica saber que sua morte está próxima.
A tradição diz que Paulo foi decapitado em Roma num local denominado Via Ostiense, provavelmente não foi crucificado por ser um cidadão romano.

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Perfeição cristã...


"Sede perfeitos como perfeito é vosso pai que está no céu" Mateus 5:48

A perfeição cristã é tema interessantíssimo e espinhoso. Vemos imperfeição em nós mesmos e em todos, então essa ordem não trata de uma possibilidade real e seria indigina de ser considerada Palavra de Deus? ou simplesmente não somos perfeitos e isso indica que não somos cristãos verdadeiros?

Estou trazendo, nesse contexto a tradução de um artigo de Edward Heppenstall, intitulado "algumas considerações teológicas sobre perfeição"

O artigo foi tirado do site do instituto de pesquisas bíblicas, e o link original se segue:

http://biblicalresearch.gc.adventist.org/documents/perfection%20Heppenstall.htm

O texto é extenso (13 páginas de word) mas vale a pena de ser estudado por todos que tenham interesse no tema, especialmente as partes onde ele trata da perfeição num contexto de fechamento da porta da graça e dos eventos finais da história desse mundo entes que nosso Senhor retorne nas nuvens do céu com poder e grande glória!

Maranata!


Algumas considerações teológicas sobre perfeição
Por Edward Heppenstall


1. O ensino bíblico sobre perfeição


A verdade sobre a doutrina e a experiência cristão em relação à perfeição é aquela que faz justiça aos significados e usos bíblicos da palavra perfeição. A Bíblia ensina que o cristão cresce na graça e rumo a ser a imagem de nosso Senhor Jesus Cristo. Ele continuamente tem fome e sede de justiça. Há séria e sincera busca por santidade espiritual.


Desde que a Bíblia exorta aquele que crê, sempre e sempre, seja de que idade for a ser “perfeito”. Então, obviamente a experiência requerida não é algo que jaz além da experiência daqueles a quem a Palavra é endereçada. Ela deve ser uma experiência dentro da estrutura da vida cristã aqui na terra, de outra forma não haveria base para a Bíblia pedir perfeição daqueles que nela crêem. Essa exortação foi dirigida aos crentes de todas as eras e não apenas àqueles que precederiam imediatamente o retorno de nosso Senhor.

O único significado válido de perfeito e de perfeição é aquele que a Bíblia lhe atribui. É adiante imperativo que estudemos para compreender, tanto quanto for possível o significado escriturístico do uso de “perfeição” e evitemos interpretações que venham de nós mesmos.

Teleios

A palavra mais importante traduzida como “perfeição” no Novo Testamento é a palavra grega teleios. A palavra é derivada do substantivo “telos” usualmente vertida como “objetivo”, “fim”. A palavra implica em um estágio definido de desenvolvimento espiritual para cristãos de todas as idades, para aqueles vivendo nos dias dos apóstolos tanto quanto para os que vivem hoje. Quase invariavelmente a palavra descreve o alcance da maturidade espiritual, uma estabilidade cristã da qual não se volta para traz, uma inabalável aliança com o Deus Vivo.

Paulo usa essa palavra freqüentemente quando descreve cristãos perfeitos, ou maduros em contraste com aqueles que são bebês espirituais. “não sejais meninos, meus amigos. Sejam inocentes como bebês em relação ao mal, mas sejam amadurecidos (teleio) em sua forma de pensar. (1 Cor 14:20).

“Por que já deveriam ser professores, mas necessitam de novo que alguém vos ensine os princípios básicos da Palavra de Deus. Necessitam de leite e não de comida sólida; pois aquele que se alimenta de leite ainda é inexperiente na Palavra da justiça, por que é criança. Mas alimento sólido é para os adultos (teleion) para aqueles que têm suas faculdades treinadas pela prática para discernir o bem e o mal. Adiante deixemos as doutrinas elementares de Cristo de prossigamos para a maturidade (teleios). (hebreus 5:12-14 e 6:1)

Aqui o autor da epístola aos hebreus reconhece que há um começo na vida cristã. Uma pessoa deve começar com o ABC da vida cristã. Como um bebê recém-nascido ele recebe seu alimento de cristãos mais maduros. Nesse ponto o autor está seriamente preocupado pelo fato de que muitos daqueles cristãos ainda estavam usando as roupas próprias da infância e pensando conforme crianças. Eles não estavam crescendo. Num momento em que eles já deveriam ser maduros (perfeitos) o suficiente para já instruir a outros e os levar à fé cristã, eles ainda tinham necessidade de serem tratados como crianças.

Paulo também se sentiu da mesma forma em relação a alguns membros da igreja de Corinto. Em 1 Cor 2:6 ele declara que “fala de sabedoria entre os perfeitos” (experimentados; ARA) os maduros, mas então ele acrescenta: “Eu, porém, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, e sim como a carnais, como a crianças em Cristo. Leite vos dei a beber, não vos dei alimento sólido; porque ainda não podíeis suportá-lo. Nem ainda agora podeis, porque ainda sois carnais. Porquanto, havendo entre vós ciúmes e contendas, não é assim que sois carnais e andais segundo o homem?” 1 Cor 3:1-3

Paulo contrasta os bebês espirituais na igreja com aqueles que ele denomina “perfeitos”, crentes completamente crescidos (desenvolvidos). A imaturidade referida aqui e que foi manifesta nos membros da igreja de Corinto os incapacitava de entender as coisas profundas de Deus.

Paulo declara que deveria ser o objetivo de todo ministro cristão desde seus dias até os nossos, de trazer seu rebanho à perfeição, ou seja, à plena maturidade de um caráter cristão, uma vez que Deus já proveu dons e meios para que alcancemos esse estágio de maturidade nesta vida.

“E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita (teleios) varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo.” Efésios 4:11-13.

Mais uma vez, o propósito e o objetivo são a maturidade e estabilidade cristã. Um fortalecimento da aliança ao ponto de ela se tornar inabalável. Paulo usa esta palavra traduzida por “perfeito” para descrever, não um estado de perfeição absolutamente impecável nas igrejas de Corinto e Éfeso, mas para descrever um estágio de maturidade que marca (identifica) aqueles que são firmes na fé sob quaisquer circunstâncias.

Novamente,em sua epístola aos filipenses ele classifica a si mesmo entre os “perfeitos”, ou maduros espiritualmente que falam de sabedoria entre os também “perfeitos”.

“Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. Todos, pois, que somos perfeitos (teleioi), tenhamos este sentimento” (filipenses 3:13-15)

Por que Paulo havia alcançado sua maturidade, ele é capaz de falar de sabedoria entre os igualmente maduros. O objetivo de seu ministério apostólico era de “apresentar todo homem perfeito (teleioi) em Cristo” (col 1:28). Ele descreve seu colaborador, Epafras, como agoniando em oração para que os colossenses fossem conservados “perfeitos (teleioi) e plenamente convictos (completos) em toda a vontade de Deus”.

No grego clássico, essa palavra “teleios”, é muitas vezes usada para descrever alguém que atingiu a idade adulta, animais plenamente desenvolvidos, frutos maduros. Para o cristão o ideal (de maturidade) é Jesus Cristo, uma estatura espiritual pela qual devemos nos esforçar continuamente. A palavra não tem em mente perfeição impecável. Os santos “mais santos”, homens como Paulo, foram os primeiros a declarar sua constante necessidade de crescerem em direção a Cristo, enquanto afirmavam a pecaminosidade de suas próprias naturezas. O processo em direção à perfeição e maturidade é o processo tão longo quanto a vida. O cristão em processo de amadurecimento faz progresso contínuo em direção ao ideal, em Cristo.

Com todos os conselhos bíblicos que pedem perfeição, não encontramos nenhum crente dizendo ter alcançado a perfeição absolutamente impecável, e mesmo assim são considerados perfeitos (maduros). A declaração (de perfeição) é carregada de perigo. Não poucas dessas declarações são movidas por uma cegueira espiritual que impede uma pessoa de ser sincera consigo mesma. Existem (nesse contexto) dois perigos contrastantes: cegueira espiritual e falha ao ser sincero consigo mesmo; e o oposto que é tolerância fácil em relação ao pecado.

A partir da palavra de Deus são maturidade e estabilidade espirituais que são possíveis nessa vida. Ensinar, a partir destas palavras na Bíblia, que a absoluta impecabilidade nesta vida é possível aqui na terra ao ser humano inerentemente mal, não é algo apoiado na Palavra de Deus e nega a própria natureza humana em si. Isso não é negar que haja crescimento em direção a uma perfeição. O pecado não reina, mas permanece nos termos da limitação da natureza humana como a conhecemos nesta terra. É levado em consideração, mesmo em relação ao fechamento da porta da graça, que enquanto as pessoas envelhecem as artérias endurecem, o sistema físico e mental fica mais lento e adiante as respostas não são mais aquelas da plenitude da juventude.

Mais ainda, que o uso bíblico da palavra “teleios” (perfeito) não tem significado como impecabilidade absoluta é visto onde freqüentemente crentes são considerados perfeitos no ponto onde tinham alcançado apenas um estágio em direção ao ideal. “Se alguém não tropeça no falar, é perfeito (teleios) varão, capaz de refrear também todo o corpo.” (Tiago 3:2). “Ora, a perseverança deve ter ação completa, para que sejais perfeitos (teleios) e íntegros, em nada deficientes.” (Tiago 1:4).

O homem perfeito (maduro) é descrito aqui como aquele que tem completo controle da língua, ou que persevera na fé sem vacilar. O crente que se enquadre em alguma dessas classes é designado na Escritura como “perfeito” ou cristão maduro. Tal controle e estabilidade é uma prova suficiente de que ele é um cristão maduro, perfeito, estável. O alcance não é igual para todos os cristãos. Para alguns a perfeição é marcada pelo amor aos inimigos (Mateus 5:43-48), em outros é manifestada na perseverança e fidelidade em sua caminhada, em outros ainda, é vista no controle da língua.

Em outras palavras, o propósito de Deus na vida é a maturidade espiritual sob todas as circunstâncias. Cristo entregou-se a si mesmo para nos salvar, e deu o Espírito Santo para viver no crente que deve surgir e crescer a esse ponto de maturidade cristã. Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus (filipenses 1:6).

Paulo, enquanto afirmava que Cristo vivia nele, como um cristão maduro, sempre prosseguia rumo a um alvo cada vez mais alto. Nesse objetivo o Espírito Santo continua a nos dirigir em toda a nossa vida. Mas não há finalidade para uma perfeição nesta vida cheia de provas. Mesmo por que cada passo para o alto revela alturas espirituais ainda acima de nós. O privilégio do cristão é experimentar aqui e agora o que foi experimentado por cristãos de todas as idades, a saber, o poder do Espírito Santo para contínuo crescimento e para nos conceder maturidade espiritual.

“Santificação é a obra de uma vida inteira” Ainda junto com esse crescimento contínuo nós encontramos descanso em meio à labuta e conflito enquanto lutamos arduamente neste corpo de pecado e morte até o glorioso aparecimento de nosso Senhor Jesus Cristo.

Katartizo

A segunda palavra mais importante traduzida como “perfeito” no Novo Testamento é “katartizo” e significa “estar completamente equipado” para o serviço no obra/causa de Deus. É digno de nota que Paulo e outros escritores bíblicos estão se dirigindo a pessoas de seu tempo e não simplesmente para aqueles que estariam vivendo nos últimos dias da história terrestre. Nas seguintes passagens a palavra katartizo é usada:

O discípulo não está acima do seu mestre; todo aquele, porém, que for bem instruído (katartizo) será como o seu mestre. (Lucas 6:40)

Quanto ao mais, irmãos, adeus! Aperfeiçoai-vos (katartizo), consolai-vos, sede do mesmo parecer, vivei em paz; e o Deus de amor e de paz estará convosco. (2 Corinthians 13:11)

...vos aperfeiçoe (katartizo) em todo o bem, para cumprirdes a sua vontade, operando em vós o que é agradável diante dele, por Jesus Cristo, a quem seja a glória para todo o sempre. Amém! (Hebreus 13:21)

Ora, o Deus de toda a graça, que em Cristo vos chamou à sua eterna glória, depois de terdes sofrido por um pouco, ele mesmo vos há de aperfeiçoar (katartizo), firmar, fortificar e fundamentar. (1 Pedro 5:10)

E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento (katartizo) dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo. (Efésios 4:11-12)

Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito(katartizo) e perfeitamente habilitado para toda boa obra. (2 Timóteo 3:16-17)

Qualquer interpretação que demos à doutrina da perfeição deve estar em harmonia com a Palavra de Deus ou é falsa. Ellen White insiste nesse ponto, mesmo quando relacionados com seus próprios escritos. Na citação que se segue, lemos:

“O irmão J não confundiria a mente ao procurar fazer parecer que a luz que Deus tem dado através dos testemunhos é uma adição à Palavra de Deus. Deus viu que essa seria uma maneira de atrair a mente de seu povo para sua Palavra, para lhes dar um claro entendimento dela.” (testemunhos para a igreja, vol. 5, 663)

“Os testemunhos escritos não são para dar nova luz, mas para impressionar o coração vividamente com as verdades que a inspiração já revelou. ...os testemunhos não são para diminuir a Palavra de Deus, mas para exaltá-la e atrair mentes até ela, para que a beleza da simplicidade da verdade possa impressionar a todos.” (Ibid, 665)
Se eles não falarem de acordo com essa palavra, é por que não há luz neles (Isaías 8:20)

2. O fechamento da porta da graça e a salvação pela graça

O que a Bíblia e o Espírito de profecia ensinam concernentemente ao fechamento da porta da graça? Alguns dizem crermos que os méritos da expiação são estarão mais a disposição como eles estavam antes do fechamento da porta da graça. Que a finalização da intercessão de Cristo significa que seu poder salvador ou sua graça perdoadora não estão mais disponíveis ou não são mais necessárias.

O que apocalipse 22:11 realmente significa em relação ao fechamento da porta da graça?

Considere algumas traduções desse verso:

“Entrementes, que o perverso continue a fazer perversidade, e que o de mente suja que afunde em sua sujeira, mas que o homem bom persevere em sua bondade e que o homem dedicado seja verdadeiro em sua dedicação” (new english bible)

“Que o malfeitor vá de mal a pior, que o vil cresça em vileza, mas que o homem correto seja cada vez mais correto, e que o homem que é santo seja mais e mais santo” (american translation)

“Que o homem ímpio continue em sua impiedade e o homem sujo em sua sujeira; mas que o homem bom continue a fazer suas boas obras e o homem santo continue em sua santificação” (Philips)

“qualquer que é mal que continue a fazer o mal, e quem é sujo que continue a ser sujo; mas qualquer que é bom deve continuar a fazer o bem e quem é santo continuar a se santificar” (Goor news for modern man)

O contexto desse verso no livro do apocalipse é que os homens foram confrontados com as mensagens finais, avisos, e julgamentos de Deus. Por eles, Deus se dirigiu a todas as pessoas do mundo e os enviou para testemunhar as suas palavras e atitudes mais solenes relativas à condição pecaminosa do homem. Esse verso no último capítulo reflete a atitude das duas grandes classes da humanidade, os salvos e os pedidos. Depois do fechamento da porta da graça, o destino eterno do homem está fixado para sempre, será então muito tarde para haver qualquer mudança.

A palavra chave desse verso é a palavra grega “eti” traduzida como “continue” “ainda”. Ele que persiste em fazer o mal ainda o continuará fazendo. Aquele que se inclina para a sujeira continuará a se inclinar para ela. Aquele que escolheu o caminho da justiça de Cristo ainda o fará. Para os maus não haverá mais ajuda da parte de Deus para tirá-los de seus maus caminhos. A palavra “ainda” “continue” (eti) proclama a escolha final e definitiva que eles fizeram. Aquele que é sujo que se suje ainda! Aquele que é justo que continue a ser justo. Em ambos os casos as pessoas se aprofundam em sua experiência. O malfeitor desce profundamente mais e mais, e o justo cresce grandemente e sobe mais e mais. O fechamento da porta da graça é o momento decisivo no tempo, quando tudo o que foi feito na vida de alguém determinará seu destino final, ser justo ou ímpio eternamente. Se nesse ponto um homem ama o mal, e continuará o amando.

Deus não tem mais provisões para transformá-lo. O Espírito Santo foi retirado do ímpio. Para além é impossível mudar, pois quando o Espírito Santo é retirado é impossível resistir ao mal inerente, dentro do coração ou às forças satânicas, externas ao ser humano. O homem se torna escravo para sempre.

Mas a justiça livra da escravidão do pecado por toda a eternidade. Por que eles aceitaram a Cristo, toda oportunidade e a ajuda graciosa de Deus ser-lhes-á concedida para que continuem no caminho da justiça. O texto menciona uma inclinação permanente na vida. Os ímpios agora estão além da possibilidade de redenção. Os justos não podem se perder. O texto não fala de impecabilidade. O texto fala de decisão final (absoluta) para um lado ou para o outro. Para o perdido o pecado vai aumentar mais e mais e para o salvo sua santidade vai aumentar mais e mais.

A senhora White declara que todos os a porta da graça se fecha para alguém. (patriarcas e profetas, 140). “Alguns estão no fim de seu período de oportunidades; e está tudo bem com eles? Obtiveram eles o que lhes é necessário para a vida futura?” (testemunhos para a igreja, vol.5,18). A questão não é relativa ao máximo desenvolvimento do pecado de um lado, ou o alcance de uma condição “sem pecado” de outra. Aqueles para quem a porta da graça se fecha estão envolvidos, ou em uma crescente experiência de pecado no qual perseveram ou numa crescente experiência na justiça e perseverança nela. O assunto é decisão definitiva, e assim será quando essa experiência ocorrer numa escala global.

Falando do fechamento da porta da graça para o mundo todo, a senhora White escreveu: “Todo caso foi decidido para salvação ou para perdição” (primeiros escritos, 36) “o destino de todos terá sido decidido para a vida ou para a morte” (grande conflito, 490). (Ver também o desejado de todas as nações, 636) É tarde demais para uma mudança, o caráter está formado (fixado). “O segundo advento de Cristo não muda nosso caráter. Apenas o fixa para além das possibilidades de mudança para toda a eternidade” (testemunhos para a igreja, vol.5, 466). A misericórdia “não mais pleiteia pelos culpados habitantes da terra” (grande conflito, 613).

Os justos manifestam uma inabalável aliança com Cristo. “o teste final veio sobre o mundo e todos que provaram ser fiéis aos princípios divinos receberam o selo do Deus vivo, então Jesus cessou sua intercessão no santuário do céu.” (Ibid, 613).

Viver sem um mediador não significa viver sem a justiça de Cristo, ou sem o Espírito Santo ou sem a graça salvadora de nosso Senhor. Desde que todos os casos foram decididos para salvação ou para perdição, o trabalho de nosso divino advogado está concluído. Satanás não pode trazer mais acusações contra os santos, pois Cristo já respondeu a todas. Os casos de todos os santos já foram levados às cortes do céu. Cristo defendeu nossa causa com sucesso e assegurou um julgamento em nosso favor. Nada agora pode mudar o veredicto. Não há mais nada a dizer.

Excetuando Satanás e sua hoste, há agora no universo perfeita concordância por todo o universo em relação à decisão do tribunal de Cristo em favor dos santos. Nenhum membro da Divindade precisa fazer qualquer defesa em favor deles. Tudo que resta é Cristo retornar para levar os santos para reinar com ele os mil anos (apocalipse 204-6).

Por causa de sua irrevogável e imutável decisão de estar diante de Deus, não há mais necessidade de Cristo interceder diante de Deus por sua salvação ou redenção. Os santos foram declarados os herdeiros legais da nova terra. Sua permanência daqui por diante é uma última justificação e vindicação perante o tribunal de Deus e perante um universo sem pecado. O fato de que eles escolheram sem qualificação (merecimento), a justiça de Cristo, espera apenas o recebimento da natureza incontaminada pelo pecado na segunda vinda de Cristo, quando o que é mortal será revestido de imortalidade e o que é corruptível for revestido de incorruptibilidade. (1 Cor 15:52 54).

“Quanto mais temos uma visão clara da perfeição e infinita pureza de Cristo, nós nos sentiremos como Daniel, quando ele contemplou a glória do Senhor, e disse, “minha beleza se tornou em corrupção”. Não podemos dizer que estamos sem pecado! Até que esse corpo vil seja transformado na semelhança do seu corpo glorioso. Mas se nós continuamente buscarmos seguir a Jesus, a bendita esperança de comparecer diante do trono sem mancha ou ruga, ou coisa semelhança é nossa, completos em Cristo, vestidos (cobertos) com sua justiça e perfeição” (sinais dos tempos, 23 de marca de 1888)

3. A condição e experiência dos crentes

Qual a condição espiritual dos santos após o fechamento da porta da graça? Os santos, de qualquer forma, refletem as condições que refletem uma condição de pecado? Se sim, o sangue expiatório e méritos de Cristo ainda estão disponíveis?

A senhora White descreve a experiência dos santos no tempo de angústia de Jacó como pessoas quem tem “uma profunda percepção de suas insuficiências, e quando elas relembram suas vidas, sua esperança parece prestes a afundar. ...se o povo de Deus tivesse pecados não confessados a aparecer diante deles... eles seriam vencidos, o desespero destruiria a fé deles. ...mas enquanto eles têm uma profunda percepção de sua indignidade , eles não terão erros ocultos a revelar” (patriarcas e profetas, 202 itálicos supridos).

“Enquanto Satanás acusa o povo de Deus por seus pecados, o Senhor o permite prová-los até o extremo. Sua confiança em Deus, sua fé e sua firmeza serão severamente testadas. ... eles são perfeitamente conscientes de sua fraqueza e indignidade” (grande conflito 618).

Falando dos santos no tempo de tribulação, a senhora White escreve:

“Os que agora exercem pouca fé, correm maior perigo de cair sob o poder dos enganos de Satanás, e do decreto que violentará a consciência. E mesmo resistindo à prova, serão, imersos em uma agonia e aflição mais profundas no tempo de angústia, porque nunca adquiriram o hábito de confiar em Deus. As lições da fé as quais negligenciaram, serão obrigados a aprender sob a pressão terrível do desânimo.” (Ibid, 622)

“Foi pela entrega de si mesmo e por uma fé tranqüilizadora que Jacó alcançou o que não conseguira ganhar com o conflito em sua própria força. ... de modo semelhante será com aqueles que vivem nos últimos dias. Ao rodearem-nos os perigos, e ao apoderar-se da alma o desespero, devem confiar unicamente nos méritos da obra expiatória. ... Em toda a nossa desajudada indignidade, devemos confiar nos méritos do Salvador crucificado e ressuscitado. Ninguém jamais perecerá enquanto fizer isto.” (patriarcas e profetas 202, 203).

Dois fatos claros das declarações de Ellen White: Primeiro, mesmo alguns dos santos serão encontrados falhando (faltando) na fé depois do fechamento da porta da graça o que lhes criará angústia e conflito. Mas falhar na fé é pecado. “falta de fé e falta de amor são os grandes pecados dos quais o povo de Deus é culpado” (testemunhos para a igreja, vol.3, 475). Certamente falta de amor e de fé não são coisas que existem num estado de impecabilidade. Pois essa falta de fé foi aspecto essencial do pecado original de Adão e Eva.

Obviamente essa condição descrita por Ellen White nega a afirmação de que os santos terão alcançado estado de impecabilidade absoluta. Se os santos fossem (nesse ponto da história) realmente impecáveis e livres do que alguns chamam de “pecado original”, com seria possível que eles revelassem tal falha relativamente à fé? Tal declaração não é vista em nenhuma declaração de Ellen White. As afirmações dela têm que ver com “pecados não confessados”, “erros escondidos”.

Segundo, a salvação pela graça e os méritos da redenção de Cristo ainda estarão disponíveis depois que a porta da graça se fechar. Os crentes ainda confiam nos méritos de Cristo. A distinção que alguns querem fazer entre “graça salvadora” e “graça capacitadora” antes e depois do fechamento da porta da graça é totalmente não bíblica. A Bíblia não fala nada nesse sentido.

Seja lá o que se entenda por graça salvador ou graça capacitadora, o fato e que elas não vêm em pacotes separados, uma antes do fechamento da porta da graça e outra depois. Ou que a graça salvadora é para pecadores e a graça capacitadora é para aqueles já purificados do pecado. Ambos esses aspectos da graça estão disponíveis em qualquer momento da vida de um cristão até o dia da volta de Jesus Cristo.

O uso bíblico da palavra “graça” é um. Graça é o eterno e livre favor de Deus, manifesto para com os culpados e indignos. Graça é algo totalmente separado de conceitos humanos de merecimento ou impecabilidade. A graça pertence a um lugar onde a pecaminosidade existe. Ela superabunda sobre a indignidade humana como é a experiência dos santos depois do fechamento da porta da graça. Vamos distinguir graça como um atributo de Cristo e graça como um método de salvação tornado possível pelo sacrifício de Cristo.

O limitado e imperfeito estado espiritual dos santos descritos por Ellen White requer a aplicação dos méritos expiatórios de nosso Senhor e a viabilidade (possibilidade) de se receber a justiça de Cristo. O estado dos santos é descrito em termos de: fraqueza, insuficiência e indignidade. A corrupção da natureza pecaminosa é manifesta nos santos enquanto vivem com esse corpo mortal. Conseqüentemente, durante o tempo de angústia de Jacó, temor e tremor, fraqueza e indignidade refletem o estado pecaminoso e insuficiente dos santos. Ainda assim o Deus eterno é o refugio deles! A cada momento eles vivem e são salvos pela maravilhosa graça de Deus! Não há evidência em nenhum lugar nas Escrituras ou no Espírito de profecia que indica, ainda que seja a mais leve mudança na salvação pela graça conferida diariamente aos santos.

Mesmo o término da obra intercessória de Cristo e o fato de todos os casos estarem resolvidos não afasta a Deus nem um passo para mais longe de nós. Pelo contrário ele se torna mais próximo do que jamais havia estado antes. Se a justiça de Cristo está disponível, então está disponível também sua graça salvadora. A implicação de que Cristo esteja de alguma forma, pelo término de seu ministério sumo sacerdotal, em posição diferente para com seu povo, é falsa! Aqueles que pensam de maneira diferente o fazem por que falham em compreender a doutrina bíblica da salvação pela graça depois do fechamento da porta da graça. Paulo nos legou em 2 cor 12:9: “A minha graça te basta, por que o meu poder é aperfeiçoado na fraqueza.” A experiência de Paulo não é diferente da experiência disponível a nós agora, ou em qualquer momento da história antes do retorno de Jesus Cristo.

Espreitando desconfortavelmente perto dessa doutrina de perfeição sem pecado absoluta está a doutrina de que a graça que salva não é mais necessária, mas que devemos ter perfeição impecável para termos certeza de nossa salvação. Isso sempre foi um problema para aqueles que não admitem ou reconhecem seu estado atual de pecaminosidade. Com o fechamento da porta da graça nós vemos nossa força transformada em fraqueza como a que Ellen White descreve, com o objetivo de que não mais vivamos sendo lei para nós mesmos, mas que há um povo que vive por Cristo apenas. A experiência dos santos após o fechamento da porta da graça revela conclusivamente que ser salvo é ser liberto do engano de colocarmos nosso eu (ego) firmemente no centro de nossa experiência de vida. A despeito de afirmarem o contrário, os proponentes da doutrina da impecabilidade se agarram a isso a ponto de suas fraquezas e indignidades terminem em “poder” ainda antes da segunda vinda de Cristo.

A salvação pela graça não é uma cura completa. A obra da graça não é mágica. O apóstolo Paulo aprendeu isso. Não há nada que garanta que, com o fechamento da porta da graça não teremos mais problemas espirituais. Isso é evidente a partir da descrição dos santos feita por Ellen White.
A salvação pela graça clama aos santos para que reconheçam sua pecaminosidade até o volta de Jesus. Cristo está dizendo para nós, não há saída, exceto entender que sua graça é suficiente em meio às fraquezas de nosso estado pecaminoso.

O que é certo sobre nossa condição final no fechamento da porta da graça não é que nossas vidas serão magicamente transformadas e colocadas acima das lutas e agonias do mundo e dos ataques de nosso inimigo. O que surge é que a libertação é completa no contexto de nossa fraqueza! A graça de Cristo não nos livra das fraquezas de nosso estado pecaminoso. A fé traz a garantia e poder salvador de Deus em nossa fraqueza. A força é dele e não nossa. Não podemos confundir essas coisas.

Se um homem é sem pecado, ele já está debaixo da graça, se ele depende da graça então ele é ainda pecador.

“Alguns há que apanham da Palavra de Deus e também dos Testemunhos parágrafos ou sentenças destacados que podem ser interpretados de maneira a se ajustarem a suas idéias, e nelas se detêm, e apóiam-se em suas próprias posições, quando Deus não os está dirigindo. Aí está o vosso perigo. Tomais passagens dos Testemunhos que falam do fim do tempo da graça, da sacudidura do povo de Deus, e falais da saída dentre esse povo de outro povo mais puro, santo, que surgirá. Ora, tudo isso agrada ao inimigo. Não devemos adotar, desnecessariamente, um procedimento que origine divergências ou suscite dissensões. Não devemos dar a impressão de que se nossas idéias particulares não forem seguidas, é porque os pastores estão falhando na compreensão e na fé, e estão andando em trevas.” (Mensagens escolhidas Vol.1, 179)

4. E o santuário será purificado

“E até duas mil trezentas tardes e manhãs e o santuário será purificado” Dn 8:14
Note que a passagem bíblica sobre a purificação do santuário não pode ser relacionada de forma nenhuma com o coração ou com a mente humana. Esse santuário a ser purificado nada tem a ver com a purificação de corações ou vidas humanas como dizem alguns. Tal visão está em franca contradição e oposição ao claro pronunciamento de Ellen White sobre o santuário no capítulo “o que é o santuário?” no livro o grande conflito. Ela diz que o santuário é o “verdadeiro tabernáculo” no céu, para o qual o santuário terrestre apontava (grande conflito, 417). Que aqueles que ensinam uma conexão entre esse santuário e a vida humana estejam em erro é claro pelo fato de que Daniel 8, a contaminação do santuário é causada pelo chifre pequeno que tira o sacrifício diário. O chifre pequeno lança por terra o santuário e seu exército:
Depois, ouvi um santo que falava; e disse outro santo àquele que falava: Até quando durará a visão do sacrifício diário e da transgressão assoladora, visão na qual é entregue o santuário e o exército, a fim de serem pisados? (Daniel 8:13)

A resposta no verso 14 é: ate 2.300 tardes e manhãs... então o santuário será purificado.

A doutrina da perfeição absolutamente impecável é muitas vezes baseada sob uma falsa interpretação do sentido da expressão: “purificação do santuário” e a expiação final. Se a perfeição absoluta é algo a ser alcançado pelos santos antes do fechamento da porta da graça, então o pecado “original” deve ser também erradicado. Isso é feito ao igualar os pecados de ignorância (lev 4) com o pecado original cuja expiação final elimina no contexto do funcionamento do ritual do santuário.

Porém, tanto o significado hebraico da palavra e o contexto bíblico mostram o quanto os advogados de tal visão estão equivocados em seu uso das Escrituras. O termo “pecados de ignorância” se referem aos pecados feitos inadvertidamente, sem querer (Deut. 19:4; Josué 20:3/5; Num 35:11, 15; Lev 22:14). O velho testamento usa essa expressão para contrastar esses pecados com os pecados feitos com “mão levantada” ou de forma pública e desafiadora. Não nada a ver com pecado no inconsciente humano, ou com o pecado que jaz na natureza humana. O Termo está longe de se relacionar com o conceito de “pecado original” a ser eliminado dos santos nos últimos dias (e antes do fechamento da porta da graça).

Devemos vigiar e orar por direção divina para que não incorramos no julgamento: “Errais não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus” (Mateus 22:29).

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Simão Barjonas... Pedro!


Pedro, cujo nome era Simão, era filho de um homem Chamado Jonas (Mt 16:17).
Pedro era natural de Betsaida (Jo 1:44). Jesus, em sua primeira audiência com Pedro, disse que ele seria chamado Cefas (que significa Pedro) (Jo 1:42).
Pedro acompanhou o ministério público de Jesus desde o início.
Ele era casado (1 cor 9:5), e um dos episódios narrados nos evangelhos é a da cura da sogra de Pedro (Mt 8:14-15/Mc1:29-31/Lc4:38-39).
Ele era pescador (Mt 4:18) e trabalhava com seu irmão André e com os filhos de zebedeu (Mt 4:18-22).
Recebeu o chamado para o discipulado no início do ministério de Jesus (Mt 4:19). Jesus usou um barco de Pedro para discursar para a multidão (L 5:3). Após isso Jesus o primeiro milagre da pesca maravilhosa, onde Pedro e os discípulos conseguem pegar grande quantidade de peixe durante o dia, quando tinham pescado a noite (melhor horário para a pesca na região) sem nenhum sucesso. Essa história está registrada em Mt 4:18-22/Mc1:16-20 e Lc 5:1-11.
Pedro passou por uma experiência muito marcante em outro momento do ministério de Jesus, quando este veio caminhando por sobre as águas e Pedro pediu para ir ao seu encontro (Mt 14:22-33). Pedro andou sobre as águas como seu Senhor e quando começou a submergir pela razão de “ter duvidado” (Mt 14:31) foi seguro pela mão de Jesus Cristo.
Em um dos momentos teológicos mais importantes dos evangelhos, os discípulos são confrontados com a questão da identidade de Cristo. Pedro fala em nome de todos e revela a confiança deles de que aquele homem que ali estava com eles era o Filho de Deus ( Mt 16:16). Jesus Cristo declara diante de todos que Pedro (como todos aqueles que partilham de sua convicção) é bem aventurado, e não partilha dessa convicção movido pela lógica humana, mas pela atuação do Pai que abre a mente e o coração dos homens para que eles reconheçam a Jesus. Na passagem imediatamente subseqüente (Mt 16:21-23), porém, Pedro repreende a Jesus por estar ensinando livremente sobre seus sofrimentos e morte e recebe uma das mais incisivas e pesadas repreensões de Jesus jamais registradas. Jesus não identificou Pedro como Satanás, mas percebeu sua influência sobre os pensamentos e palavras do discípulo que ainda não havia compreendido a missão de Cristo em conexão com sua identidade.
Pedro estava com Jesus de forma íntima e especial em várias ocasiões, como na transfiguração (Mc 9:4-6) e no getsemani (Mt 26:36-37) dentre outras ocasiões. Pedro era grande amigo de João, o discípulo amado e apóstolo de Jesus Cristo. Essa amizade é vista em muitas passagens nos evangelhos e em atos (alguns poucos exemplos são: João 20:1-10 e Atos 3:1-10.
Pedro era impetuoso e com uma personalidade forte e marcante, e exercia liderança natural no grupo dos discípulos.
Ele, porém protagonizou uma das cenas de maior impacto negativo na história da igreja quando negou Jesus 3 vezes (Mt 26:69-75/ Mc 14:66-72; Lc 22:55-62 e João 18:15-18/25-27). Foi perdoado e citado por nome no encontro marcado depois da ressurreição (Mc 16:7).
Pedro foi confrontado por Cristo três vezes com a pergunta: “Tu me amas?” (Jo 21:15-23) e ele se entristeceu, porém recebeu de Cristo graça e o chamado para o seguir. Pedro foi um dos homens mais influentes da história da igreja cristã e um grande discípulo e apóstolo de Jesus Cristo.

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